domingo, 2 de março de 2014



Um pequeno poema de sol

Eu contarei histórias enquanto elas povoarem minha mente
E serão repetidas até se tornarem verdades nunca vistas...
Somos esse pequeno fragmento perdido em algum lugar no tempo
E tudo o que carregamos é como a luz brilhante de uma estrela que não existe mais.

Levante-se e abra a janela e veja um dia chuvoso,
Esqueça propositalmente o guarda-chuva e se molhe.
Caminhando sem pressa pela calçada de pequenas pedras retangulares
Como se estivesse ao sol brando de uma primavera qualquer.

A poça d’água pode enganar e terá um sapato encharcado no pé direito
Fazendo barulhos entre um passo e outro que soarão como música...

Do alto de algumas décadas de sonhos e esperanças vividos pela metade,
Talvez seja o momento de andar de pés descalços e perceber um dia pleno.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

E recebeu joias e dinheiro e se entorpeceu,
Com frieza e ignorante obstinação,
Gota a gota se envenenou e se esqueceu.
Sucederam-se os dias e noites não dormidas.
Enganou-se entre braços e promessas...
O afeto e carinho fizeram-se dispensáveis.
E, foi para longínquos lugares, sublimou-se...
Cidade cinza e fria.
Pontes e viadutos,
Passarelas que levam a lugar nenhum.
O vapor do copo ondula no bar da esquina.
Todos movidos pelo sedento relógio-ponto.
Alguns se amontoam em paradas de ônibus,
Outros seguem como zumbis trilhando um caminho invisível.
O café quente e amargo da manhã.
O almoço engolido com sofreguidão.
A renúncia do jantar em troca de uma garrafa que trará uma
Quase sensação de felicidade.
A engrenagem se move devagar e sempre
A noite se esgota e a manhã chega, outra vez, como uma nota de falecimento.
Venha e seja simples
Como os lírios do campo
Que não tecem e nem fiam.
E ninguém no mundo se veste como um deles.
Falo isso porque vem chegando a hora...
... E nós estamos na flor.
Venha como um sopro de vida ou, de uma vez,
Venha como a morte em noite escura e fria.
Como alguém que bate à porta na madrugada.
Seja à noite as sombras dos arvoredos a me vigiar.
Venha escrever o epitáfio...
Vem chegando a hora...
...E nós estamos na flor.
Mas não venha para ser a pétala
Da flor desfolhada ao vento.
Nem para ser a lágrima derramada
Sobre a matéria pálida e fria.
Venha como um lírio do campo
E ao lado da fria lousa nasça e floresça.
Como nas folhas o orvalho
Virão suas lágrimas.
Naturalmente suas pétalas desfolhar-se-ão
E serão levadas pelo frio vento que sopra à noite.
Meio-dia, o suor escorre pelos lados do rosto,
O vapor sobe do chão e nos condena.
Tarde quente, as moscas voam sem direção.
Tarde quente e úmida, vou fugir.
Quero o litoral, sim, até beberia a água salgada.
O dinheiro acabou. Não tem gasolina.
Caminhar pela rua abafada, nem pensar.
As moscas voam em círculos,
Querem me afastar de casa.
Quente e úmido e enlouquecedor.
De que adianta um leque de possibilidades, quando são as impossibilidades que nos atraem?
E a margem do outro lado do rio parece insondável, até ser revelada e perder o encanto.
E o doce que a criança se delicia vai se tornar enjoativo na velhice.
E o canto das aves da manhã passa a ser insuportável.
E a tua saudade vai ser esquecimento.
Um romance interrompido.
O título para um livro não escrito.
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Danem-se o título e o livro!
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Rumo ao litoral ou talvez Uruguai.
Só quero estrada, só quero que esteja ao meu lado.
E tudo vai passar, vai ficar para trás,
Como as linhas do asfalto que se perdem no caminho.
-- Como eu chego a...?
-- Suba o morro e desça o morro. Estará na metade do caminho quando começar a descer.
Dirigi, serpenteando aquela estrada pedregosa. Um livro sobre o banco do carona e algumas páginas escritas à máquina. As curvas me lembravam de todas as dificuldades passadas e tentativas em vão.
Então, cheguei ao meio do caminho, ali começava a descida. Parei. Li aquelas páginas de poemas pela última vez e senti uma dor que já não era a mesma... Joguei-as, todas, ao vento. Observei-as sem pressa. Peguei o livro e o lancei ladeira abaixo, onde começava a curva da outra metade do caminho. Dei a volta com o carro e deixei tudo para trás...
Eu pego a estrada antes mesmo que o sol comece a iluminar o dia. E o frescor da manhã consegue enganar-me por algumas horas e não me fazer pensar no que está por vir.
A guerra interna é constante e nas batalhas nunca há lado vitorioso. Somente ferimentos e mutilações. Abrem-se feridas sobre cicatrizes de outras mal curadas.
O tapete negro se desenrola e ao longo vai mostrando as nuances ao seu redor. Imensas e tristes plantações que os olhos buscam, mas não alcançam o fim. Trigais dourados que ondulam às correntes de ar e brilham sobre as planícies e coxilhas.
O caminho e suas expectativas que são deixadas para trás em segundos, em cada placa que ficou. Nessa relação de distância, espaço e tempo que nos alimenta, nos engana e nos mata.
Ficaram lá, naquele ínfimo instante perdido para sempre, o olhar, o gesto e as palavras não ditas.

domingo, 25 de novembro de 2012



Supera a luz a sombra, despedaça-se o dia.
Entre retalhos de memórias remotas
Fragmentos fugazes seus surgem
Como sussurros mórbidos ao ouvido.

Na suas sinuosidades perversas
Depositam-se cadáveres daqueles
Que ousaram e assim deixaram
Todos os sonhos pelo caminho.

Decompõe-se sua aparente beleza
Como corpo inanimado ao relento.
Agora mundana matéria pálida
Arrasta-se esquálida sobre os restos.

As paredes me segredaram tudo
E o morcego não me deixou dormir.
Foi-se a noite e veio a luz da manhã
Como um dardo na consciência.
Fecho os olhos e tudo é vermelho
E da janela vem a constante inquietação.
Cerro-a, encerro-me outra vez
E maldito, augusto morcego surge novamente.

sábado, 22 de setembro de 2012



Cidade cinza e fria.
Pontes e viadutos,
Passarelas que levam a lugar nenhum.
O vapor do copo ondula no bar da esquina.
Todos movidos pelo sedento relógio-ponto.
Alguns se amontoam em paradas de ônibus,
Outros seguem como zumbis trilhando um caminho invisível.
O café quente e amargo da manhã.
O almoço engolido com sofreguidão.
A renúncia do jantar em troca de uma garrafa que trará uma
Quase sensação de felicidade.
A engrenagem se move devagar e sempre
A noite se esgota e a manhã chega, outra vez, como uma nota de falecimento.
Todas as coisas ditas são medidas e é a intensidade que faz com que sejam aceitas ou não. Sendo assim, eu falei sem pensar. E quando disse que queria você pra mim era verdade e lhe raptaria se possível. E quando falei que amava foi sem querer e me assustei e vi que havia ido longe demais. Sempre me disseram para não brincar com fogo, mas sou pirômano por excelência.
Você sempre esteve para mim c

omo todas as coisas mais simples e básicas. Como a primeira tragada do filtro vermelho. Como o café forte e quente sorvido a pequenos goles. Como o prato de cada dia e o desespero de não tê-lo. A necessidade de respirar e sentir aromas e querer tudo o que não se pode ter.
Se me pedissem uma história, eu teria duas a lhes contar. Porque é assim que acontece e nada me basta e o suficiente parece pouco. Levo tudo às últimas conseqüências e andar na corda bamba é cotidiano. Deixo todas as pistas e rastros para serem seguidos e quero ser encontrado. Quero que a música seja interrompida e que algo aconteça.

sábado, 4 de agosto de 2012


Sons ao longe e alegrias distantes
Na estrada longa que nos separa.
No amparo dos teus braços frágeis
Tenho um refúgio e desejo antigo.
Perco-me nessas curvas sinuosas
Que o caminho sempre traz.
Mas são pontos de parada,
Podem tardar essa viagem,
Mas nunca me fazem perder
O horizonte dos teus olhos.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Na penumbra de um quarto triste
No silêncio que paira no ar.
A tua indiferença me agride
Meus fantasmas me assombram.
Árdua a sina de carregar
Todo o peso de uma vida vazia.
Um romance interrompido...
O título para um livro não escrito.
Uma personagem que fugiu
Na camuflagem perfeita da noite.
Aquele poema esquecido
Que agora vem à tona...
As palavras que não funcionam mais.
Aquela lembrança em tons de cinza
Que vai se dispersando...
Na camuflagem perfeita da noite.

sábado, 14 de julho de 2012


Os carros passam velozes pela estrada.
A fogueira do mendigo se extinguiu.
Meu coração acelerado clama por algo.
Minha face rubra é ferida pelo vento frio.
Ela disse que tudo um dia acaba.
Eu não quis acreditar, conhecendo a verdade.
E tudo é triste agora, e o medo se faz presente.
E toda a beleza se foi, como se fora a última!
Mas voarei e cairei do mais alto.
Mortificar-me-ei e sei o quanto dói.
Sei a dor de se morrer outra vez!


Qual é minha esperança?
Ando de olhos fechados para te ter como visão.
Ao abri-los, já não estás mais comigo...
Esperei pelo inverno, que levou todas as folhas.
Estou desprotegido e tu não vieste me aquecer.
Não suportarei dois invernos sem teus lábios.
Sem a ternura de teu corpo e tua boca doce sussurrando
As palavras que um dia ouvi.
Tu me fizeste assim e minha febre não cessa.
Teu perfume está em mim e guardo todas as lembranças
Como relíquias.