E recebeu joias e dinheiro e se entorpeceu,
Com frieza e ignorante obstinação,
Gota a gota se envenenou e se esqueceu.
Sucederam-se os dias e noites não dormidas.
Enganou-se entre braços e promessas...
O afeto e carinho fizeram-se dispensáveis.
E, foi para longínquos lugares, sublimou-se...
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Cidade cinza e fria.
Pontes e viadutos,
Passarelas que levam a lugar nenhum.
O vapor do copo ondula no bar da esquina.
Todos movidos pelo sedento relógio-ponto.
Alguns se amontoam em paradas de ônibus,
Outros seguem como zumbis trilhando um caminho invisível.
O café quente e amargo da manhã.
O almoço engolido com sofreguidão.
A renúncia do jantar em troca de uma garrafa que trará uma
Quase sensação de felicidade.
A engrenagem se move devagar e sempre
A noite se esgota e a manhã chega, outra vez, como uma nota de falecimento.
Pontes e viadutos,
Passarelas que levam a lugar nenhum.
O vapor do copo ondula no bar da esquina.
Todos movidos pelo sedento relógio-ponto.
Alguns se amontoam em paradas de ônibus,
Outros seguem como zumbis trilhando um caminho invisível.
O café quente e amargo da manhã.
O almoço engolido com sofreguidão.
A renúncia do jantar em troca de uma garrafa que trará uma
Quase sensação de felicidade.
A engrenagem se move devagar e sempre
A noite se esgota e a manhã chega, outra vez, como uma nota de falecimento.
Venha e seja simples
Como os lírios do campo
Que não tecem e nem fiam.
E ninguém no mundo se veste como um deles.
Falo isso porque vem chegando a hora...
... E nós estamos na flor.
Venha como um sopro de vida ou, de uma vez,
Venha como a morte em noite escura e fria.
Como alguém que bate à porta na madrugada.
Seja à noite as sombras dos arvoredos a me vigiar.
Venha escrever o epitáfio...
Vem chegando a hora...
...E nós estamos na flor.
Mas não venha para ser a pétala
Da flor desfolhada ao vento.
Nem para ser a lágrima derramada
Sobre a matéria pálida e fria.
Venha como um lírio do campo
E ao lado da fria lousa nasça e floresça.
Como nas folhas o orvalho
Virão suas lágrimas.
Naturalmente suas pétalas desfolhar-se-ão
E serão levadas pelo frio vento que sopra à noite.
Como os lírios do campo
Que não tecem e nem fiam.
E ninguém no mundo se veste como um deles.
Falo isso porque vem chegando a hora...
... E nós estamos na flor.
Venha como um sopro de vida ou, de uma vez,
Venha como a morte em noite escura e fria.
Como alguém que bate à porta na madrugada.
Seja à noite as sombras dos arvoredos a me vigiar.
Venha escrever o epitáfio...
Vem chegando a hora...
...E nós estamos na flor.
Mas não venha para ser a pétala
Da flor desfolhada ao vento.
Nem para ser a lágrima derramada
Sobre a matéria pálida e fria.
Venha como um lírio do campo
E ao lado da fria lousa nasça e floresça.
Como nas folhas o orvalho
Virão suas lágrimas.
Naturalmente suas pétalas desfolhar-se-ão
E serão levadas pelo frio vento que sopra à noite.
Meio-dia, o suor escorre pelos lados do rosto,
O vapor sobe do chão e nos condena.
Tarde quente, as moscas voam sem direção.
Tarde quente e úmida, vou fugir.
Quero o litoral, sim, até beberia a água salgada.
O dinheiro acabou. Não tem gasolina.
Caminhar pela rua abafada, nem pensar.
As moscas voam em círculos,
Querem me afastar de casa.
Quente e úmido e enlouquecedor.
O vapor sobe do chão e nos condena.
Tarde quente, as moscas voam sem direção.
Tarde quente e úmida, vou fugir.
Quero o litoral, sim, até beberia a água salgada.
O dinheiro acabou. Não tem gasolina.
Caminhar pela rua abafada, nem pensar.
As moscas voam em círculos,
Querem me afastar de casa.
Quente e úmido e enlouquecedor.
De que adianta um leque de possibilidades, quando são as impossibilidades que nos atraem?
E a margem do outro lado do rio parece insondável, até ser revelada e perder o encanto.
E o doce que a criança se delicia vai se tornar enjoativo na velhice.
E o canto das aves da manhã passa a ser insuportável.
E a tua saudade vai ser esquecimento.
E a margem do outro lado do rio parece insondável, até ser revelada e perder o encanto.
E o doce que a criança se delicia vai se tornar enjoativo na velhice.
E o canto das aves da manhã passa a ser insuportável.
E a tua saudade vai ser esquecimento.
Um romance interrompido.
O título para um livro não escrito.
.............................. ..................
Danem-se o título e o livro!
.............................. ..................
Rumo ao litoral ou talvez Uruguai.
Só quero estrada, só quero que esteja ao meu lado.
E tudo vai passar, vai ficar para trás,
Como as linhas do asfalto que se perdem no caminho.
O título para um livro não escrito.
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Danem-se o título e o livro!
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Rumo ao litoral ou talvez Uruguai.
Só quero estrada, só quero que esteja ao meu lado.
E tudo vai passar, vai ficar para trás,
Como as linhas do asfalto que se perdem no caminho.
-- Como eu chego a...?
-- Suba o morro e desça o morro. Estará na metade do caminho quando começar a descer.
Dirigi, serpenteando aquela estrada pedregosa. Um livro sobre o banco do carona e algumas páginas escritas à máquina. As curvas me lembravam de todas as dificuldades passadas e tentativas em vão.
Então, cheguei ao meio do caminho, ali começava a descida. Parei. Li aquelas páginas de poemas pela última vez e senti uma dor que já não era a mesma... Joguei-as, todas, ao vento. Observei-as sem pressa. Peguei o livro e o lancei ladeira abaixo, onde começava a curva da outra metade do caminho. Dei a volta com o carro e deixei tudo para trás...
-- Suba o morro e desça o morro. Estará na metade do caminho quando começar a descer.
Dirigi, serpenteando aquela estrada pedregosa. Um livro sobre o banco do carona e algumas páginas escritas à máquina. As curvas me lembravam de todas as dificuldades passadas e tentativas em vão.
Então, cheguei ao meio do caminho, ali começava a descida. Parei. Li aquelas páginas de poemas pela última vez e senti uma dor que já não era a mesma... Joguei-as, todas, ao vento. Observei-as sem pressa. Peguei o livro e o lancei ladeira abaixo, onde começava a curva da outra metade do caminho. Dei a volta com o carro e deixei tudo para trás...
Eu
pego a estrada antes mesmo que o sol comece a iluminar o dia. E o
frescor da manhã consegue enganar-me por algumas horas e não me fazer
pensar no que está por vir.
A guerra interna é constante e nas batalhas nunca há lado vitorioso. Somente ferimentos e mutilações. Abrem-se feridas sobre cicatrizes de outras mal curadas.
O tapete negro se desenrola e ao longo vai mostrando as nuances ao seu redor. Imensas e tristes plantações que os olhos buscam, mas não alcançam o fim. Trigais dourados que ondulam às correntes de ar e brilham sobre as planícies e coxilhas.
O caminho e suas expectativas que são deixadas para trás em segundos, em cada placa que ficou. Nessa relação de distância, espaço e tempo que nos alimenta, nos engana e nos mata.
Ficaram lá, naquele ínfimo instante perdido para sempre, o olhar, o gesto e as palavras não ditas.
A guerra interna é constante e nas batalhas nunca há lado vitorioso. Somente ferimentos e mutilações. Abrem-se feridas sobre cicatrizes de outras mal curadas.
O tapete negro se desenrola e ao longo vai mostrando as nuances ao seu redor. Imensas e tristes plantações que os olhos buscam, mas não alcançam o fim. Trigais dourados que ondulam às correntes de ar e brilham sobre as planícies e coxilhas.
O caminho e suas expectativas que são deixadas para trás em segundos, em cada placa que ficou. Nessa relação de distância, espaço e tempo que nos alimenta, nos engana e nos mata.
Ficaram lá, naquele ínfimo instante perdido para sempre, o olhar, o gesto e as palavras não ditas.
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