Venha e seja simples
Como os lírios do campo
Que não tecem e nem fiam.
E ninguém no mundo se veste como um deles.
Falo isso porque vem chegando a hora...
... E nós estamos na flor.
Venha como um sopro de vida ou, de uma vez,
Venha como a morte em noite escura e fria.
Como alguém que bate à porta na madrugada.
Seja à noite as sombras dos arvoredos a me vigiar.
Venha escrever o epitáfio...
Vem chegando a hora...
...E nós estamos na flor.
Mas não venha para ser a pétala
Da flor desfolhada ao vento.
Nem para ser a lágrima derramada
Sobre a matéria pálida e fria.
Venha como um lírio do campo
E ao lado da fria lousa nasça e floresça.
Como nas folhas o orvalho
Virão suas lágrimas.
Naturalmente suas pétalas desfolhar-se-ão
E serão levadas pelo frio vento que sopra à noite.
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