Queria escrever uma história para ser eternizada, então me
sentei para escrevê-la e nada saiu.
Fui para o litoral para fisgar o maior peixe e, na beira do mar,
eu entendi que não sabia lançar o anzol.
Pensei que Cubismo fosse fácil e comprei umas telas e tintas e pincéis
e descobri que teria que aprender a pintar e a desenhar e depois desaprender.
Bebi muitos vinhos e achei que poderia identificá-los pelo aroma, tonalidade,
acidez,... mas os rótulos das garrafas me influenciaram demais.
Tentei apenas viver de forma simples e leve e vi que havia queimado todo
o combustível e não haveria forma de retornar.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Desesperança
Dois corpos pálidos jazendo
Na mesma terra negra e fria.
De todas as emoções e momentos
Restam apenas esses decadentes traços.
Ao amanhecer, o céu é sempre sem brilho.
Não podem ser apagadas as marcas do tempo.
As últimas lágrimas se cristalizaram
Na pele gélida de quem já não vive.
Mas não imaginamos o porvir
Quando o presente é tão vivo.
Na embriaguez dos sonhos,
Em nossos ingênuos anseios.
Como as flores que crescem no lodo
Acabam maculando suas pétalas,
Os corpos e seus brilhos se sujam
Na mundana imundície que os cerca.
Na mesma terra negra e fria.
De todas as emoções e momentos
Restam apenas esses decadentes traços.
Ao amanhecer, o céu é sempre sem brilho.
Não podem ser apagadas as marcas do tempo.
As últimas lágrimas se cristalizaram
Na pele gélida de quem já não vive.
Mas não imaginamos o porvir
Quando o presente é tão vivo.
Na embriaguez dos sonhos,
Em nossos ingênuos anseios.
Como as flores que crescem no lodo
Acabam maculando suas pétalas,
Os corpos e seus brilhos se sujam
Na mundana imundície que os cerca.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Depois da chuva
Sou tempestade ruidosa,
Sou eletricidade e trovões.
Mas teus lábios me calam
E teus olhos trazem a bonança.
Ama-me como és, com certo pudor.
Não me ames com clichês.
Quero teu riso fácil
E tua boca me provocando.
Não quero palavras viciadas
E frases há muito repetidas.
Contento-me com tua presença
E decoro teus traços para a ausência.
Desconheces o vazio de minha casa
Quando escurece e todo o som vai embora.
Carrego-te ecoando no meu corpo
Como um anjo perverso que me assombra.
Sou eletricidade e trovões.
Mas teus lábios me calam
E teus olhos trazem a bonança.
Ama-me como és, com certo pudor.
Não me ames com clichês.
Quero teu riso fácil
E tua boca me provocando.
Não quero palavras viciadas
E frases há muito repetidas.
Contento-me com tua presença
E decoro teus traços para a ausência.
Desconheces o vazio de minha casa
Quando escurece e todo o som vai embora.
Carrego-te ecoando no meu corpo
Como um anjo perverso que me assombra.
Perfume
Ela passou por mim com uns olhos de chuva
E desprendeu seu aroma no ar.
Capturei pequenos vestígios
Que inundaram meu corpo.
Levei a sério demais e me importei demais,
Tanto que me perdi em seu perfume.
Que eu ainda não sei se quero,
Mas que por ele tanto me desespero.
E endoidecido percorro as ruas
Em busca de vagas imagens suas.
Pelos bares e enfumaçados lugares,
Sob luzes e luares de noites insones.
E desprendeu seu aroma no ar.
Capturei pequenos vestígios
Que inundaram meu corpo.
Levei a sério demais e me importei demais,
Tanto que me perdi em seu perfume.
Que eu ainda não sei se quero,
Mas que por ele tanto me desespero.
E endoidecido percorro as ruas
Em busca de vagas imagens suas.
Pelos bares e enfumaçados lugares,
Sob luzes e luares de noites insones.
Mon Chéri
Eu quisera a tua beleza e a tive.
Embriaguei-me dos teus lábios.
Mergulhei no oceano de negros cabelos.
Sorvi o doce aroma da tua pele.
Teus olhos como a noite estrelada
Mostravam o brilho de outros e possíveis mundos.
Mas o tempo se esvai
E o refúgio de sombras não nos protege mais.
A luz da manhã me fere como uma flecha na retina.
E estou dilacerado e sem rumo...
A realidade cai maciça e bruscamente.
É o momento de ir embora.
Não quero palavras de conforto.
Quero o nada!
Quero tudo!
Quero-te outra vez.
Embriaguei-me dos teus lábios.
Mergulhei no oceano de negros cabelos.
Sorvi o doce aroma da tua pele.
Teus olhos como a noite estrelada
Mostravam o brilho de outros e possíveis mundos.
Mas o tempo se esvai
E o refúgio de sombras não nos protege mais.
A luz da manhã me fere como uma flecha na retina.
E estou dilacerado e sem rumo...
A realidade cai maciça e bruscamente.
É o momento de ir embora.
Não quero palavras de conforto.
Quero o nada!
Quero tudo!
Quero-te outra vez.
Nostalgie
Fui amá-la com urgência.
Com a avidez de um cão
Sedento por míseras gotas
Para saciar seu débil corpo.
As luzes se derramavam pelo quarto
Triste e saturado de promessas
E juras de amor.
A dança era diabólica num corpo angelical...
A graciosidade e o suave toque
Escondiam dores de feridas ainda abertas.
Tudo se fora... O que passou é saudade...
Espera-se por uma fuga todos os dias.
Uma máscara para suportar a realidade
E sorrir e dançar e tentar se enganar.
Uma lágrima. Apenas uma...
Impossível.
Aprende-se a não mais chorar...
Com a avidez de um cão
Sedento por míseras gotas
Para saciar seu débil corpo.
As luzes se derramavam pelo quarto
Triste e saturado de promessas
E juras de amor.
A dança era diabólica num corpo angelical...
A graciosidade e o suave toque
Escondiam dores de feridas ainda abertas.
Tudo se fora... O que passou é saudade...
Espera-se por uma fuga todos os dias.
Uma máscara para suportar a realidade
E sorrir e dançar e tentar se enganar.
Uma lágrima. Apenas uma...
Impossível.
Aprende-se a não mais chorar...
Eu
Eu, ser plenamente vencido
Pela sociedade abastada e avarenta,
Vivo pelos becos escondido,
Não mais tendo a proteção da placenta.
Sou um corpo emurchecido
E uma massa encefálica degenerada.
Aquele serve ao espírito como abrigo
E esse à alma por morada.
A sorte - um felino finado; E os vícios...
A incontrolável delinqüência,
Deixam na epiderme indícios
Que desmentem a minha falsa aparência.
Um lutulento lupanar é o caminho
Percorrido pelo meu cadáver convulso.
Como um estranho pássaro no ninho
Constantemente me auto-expulso.
Potencialíssimo esquizofrênico:
Quero das turbas me afastar;
Propenso a ingerir arsênico:
Posso, isolado, lentamente finar.
Pela sociedade abastada e avarenta,
Vivo pelos becos escondido,
Não mais tendo a proteção da placenta.
Sou um corpo emurchecido
E uma massa encefálica degenerada.
Aquele serve ao espírito como abrigo
E esse à alma por morada.
A sorte - um felino finado; E os vícios...
A incontrolável delinqüência,
Deixam na epiderme indícios
Que desmentem a minha falsa aparência.
Um lutulento lupanar é o caminho
Percorrido pelo meu cadáver convulso.
Como um estranho pássaro no ninho
Constantemente me auto-expulso.
Potencialíssimo esquizofrênico:
Quero das turbas me afastar;
Propenso a ingerir arsênico:
Posso, isolado, lentamente finar.
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