quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Desesperança

Dois corpos pálidos jazendo
Na mesma terra negra e fria.
De todas as emoções e momentos
Restam apenas esses decadentes traços.

Ao amanhecer, o céu é sempre sem brilho.
Não podem ser apagadas as marcas do tempo.
As últimas lágrimas se cristalizaram
Na pele gélida de quem já não vive.

Mas não imaginamos o porvir
Quando o presente é tão vivo.
Na embriaguez dos sonhos,
Em nossos ingênuos anseios.

Como as flores que crescem no lodo
Acabam maculando suas pétalas,
Os corpos e seus brilhos se sujam
Na mundana imundície que os cerca.

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