domingo, 13 de novembro de 2011

Somos desgraçados por excelência
E qualquer tentativa é inútil.
A estupidez é a parte fundamental
de um mecanismo que nos deixa vivos.
E ainda podemos sorrir.

domingo, 2 de outubro de 2011

O teu hálito na minha pele
Essa saudade de algum dia
E tua proximidade tão distante
Eu baixo minha cabeça e teu olhar me fulmina
E se perde como um projétil noite adentro.
Queria ver meu peito sangrando e meu
Corpo esmaecido caído, repousado
No chão poeirento e quente.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

PALCO DOS HIRUDÍNEOS


Dou-te razão, pálido poeta:
Somos doidos, frios crânios incompreendidos.
Bons atores para representar sentimentos. Eis a magia do teatro!
Quem me dera ter tal virtude e, em minha vivência, não ficar à mercê da ventriloquia.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eternos erros

Ela sorriu tristemente para mim,
E eu sangrei por dentro sorrindo.
Escondi minhas dores e lágrimas
Para que escondesse as dela também.

Não consigo tê-la pela metade,
Mas tenho medo de inteirar-me.
Prefiro me deixar enganar
E, de olhos bem fechados, esquecer-me.

Como se a realidade não despertasse
Com a luz da manhã nos meus olhos.
E o paraíso dos seus lábios molhados
Não se fizesse distante dos meus.

-- Deixe-me na minha lama de miséria.
Aqui estou posto ao que me era de direito,
A deliciar-me com imundícies que pisei.
E, malogrado, a rir dos anseios de algum dia.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Frustração

  Queria escrever uma história para ser eternizada, então me
sentei para escrevê-la e nada saiu.
  Fui para o litoral para fisgar o maior peixe e, na beira do mar,
eu entendi que não sabia lançar o anzol.
  Pensei que Cubismo fosse fácil e comprei umas telas e tintas e pincéis
e descobri que teria que aprender a pintar e a desenhar e depois desaprender.
  Bebi muitos vinhos e achei que poderia identificá-los pelo aroma, tonalidade,
acidez,... mas os rótulos das garrafas me influenciaram demais.
  Tentei apenas viver de forma simples e leve e vi que havia queimado todo
o combustível e não haveria forma de retornar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Desesperança

Dois corpos pálidos jazendo
Na mesma terra negra e fria.
De todas as emoções e momentos
Restam apenas esses decadentes traços.

Ao amanhecer, o céu é sempre sem brilho.
Não podem ser apagadas as marcas do tempo.
As últimas lágrimas se cristalizaram
Na pele gélida de quem já não vive.

Mas não imaginamos o porvir
Quando o presente é tão vivo.
Na embriaguez dos sonhos,
Em nossos ingênuos anseios.

Como as flores que crescem no lodo
Acabam maculando suas pétalas,
Os corpos e seus brilhos se sujam
Na mundana imundície que os cerca.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Depois da chuva

Sou tempestade ruidosa,
Sou eletricidade e trovões.
Mas teus lábios me calam
E teus olhos trazem a bonança.

Ama-me como és, com certo pudor.
Não me ames com clichês.
Quero teu riso fácil
E tua boca me provocando.

Não quero palavras viciadas
E frases há muito repetidas.
Contento-me com tua presença
E decoro teus traços para a ausência.

Desconheces o vazio de minha casa
Quando escurece e todo o som vai embora.
Carrego-te ecoando no meu corpo
Como um anjo perverso que me assombra.

Perfume

Ela passou por mim com uns olhos de chuva
E desprendeu seu aroma no ar.
Capturei pequenos vestígios
Que inundaram meu corpo.

Levei a sério demais e me importei demais,
Tanto que me perdi em seu perfume.
Que eu ainda não sei se quero,
Mas que por ele tanto me desespero.

E endoidecido percorro as ruas
Em busca de vagas imagens suas.
Pelos bares e enfumaçados lugares,
Sob luzes e luares de noites insones.

Mon Chéri

Eu quisera a tua beleza e a tive.
Embriaguei-me dos teus lábios.
Mergulhei no oceano de negros cabelos.
Sorvi o doce aroma da tua pele.

Teus olhos como a noite estrelada
Mostravam o brilho de outros e possíveis mundos.

Mas o tempo se esvai
E o refúgio de sombras não nos protege mais.

A luz da manhã me fere como uma flecha na retina.
E estou dilacerado e sem rumo...
A realidade cai maciça e bruscamente.
É o momento de ir embora.

Não quero palavras de conforto.
Quero o nada!
Quero tudo!
Quero-te outra vez.

Nostalgie

Fui amá-la com urgência.
Com a avidez de um cão
Sedento por míseras gotas
Para saciar seu débil corpo.

As luzes se derramavam pelo quarto
Triste e saturado de promessas
E juras de amor.
A dança era diabólica num corpo angelical...

A graciosidade e o suave toque
Escondiam dores de feridas ainda abertas.
Tudo se fora... O que passou é saudade...

Espera-se por uma fuga todos os dias.
Uma máscara para suportar a realidade
E sorrir e dançar e tentar se enganar.

Uma lágrima. Apenas uma...
Impossível.
Aprende-se a não mais chorar...

Eu

Eu, ser plenamente vencido
Pela sociedade abastada e avarenta,
Vivo pelos becos escondido,
Não mais tendo a proteção da placenta.

Sou um corpo emurchecido
E uma massa encefálica degenerada.
Aquele serve ao espírito como abrigo
E esse à alma por morada.

A sorte - um felino finado; E os vícios...
A incontrolável delinqüência,
Deixam na epiderme indícios
Que desmentem a minha falsa aparência.

Um lutulento lupanar é o caminho
Percorrido pelo meu cadáver convulso.
Como um estranho pássaro no ninho
Constantemente me auto-expulso.

Potencialíssimo esquizofrênico:
Quero das turbas me afastar;
Propenso a ingerir arsênico:
Posso, isolado, lentamente finar.