sábado, 22 de setembro de 2012



Cidade cinza e fria.
Pontes e viadutos,
Passarelas que levam a lugar nenhum.
O vapor do copo ondula no bar da esquina.
Todos movidos pelo sedento relógio-ponto.
Alguns se amontoam em paradas de ônibus,
Outros seguem como zumbis trilhando um caminho invisível.
O café quente e amargo da manhã.
O almoço engolido com sofreguidão.
A renúncia do jantar em troca de uma garrafa que trará uma
Quase sensação de felicidade.
A engrenagem se move devagar e sempre
A noite se esgota e a manhã chega, outra vez, como uma nota de falecimento.
Todas as coisas ditas são medidas e é a intensidade que faz com que sejam aceitas ou não. Sendo assim, eu falei sem pensar. E quando disse que queria você pra mim era verdade e lhe raptaria se possível. E quando falei que amava foi sem querer e me assustei e vi que havia ido longe demais. Sempre me disseram para não brincar com fogo, mas sou pirômano por excelência.
Você sempre esteve para mim c

omo todas as coisas mais simples e básicas. Como a primeira tragada do filtro vermelho. Como o café forte e quente sorvido a pequenos goles. Como o prato de cada dia e o desespero de não tê-lo. A necessidade de respirar e sentir aromas e querer tudo o que não se pode ter.
Se me pedissem uma história, eu teria duas a lhes contar. Porque é assim que acontece e nada me basta e o suficiente parece pouco. Levo tudo às últimas conseqüências e andar na corda bamba é cotidiano. Deixo todas as pistas e rastros para serem seguidos e quero ser encontrado. Quero que a música seja interrompida e que algo aconteça.