domingo, 25 de novembro de 2012



Supera a luz a sombra, despedaça-se o dia.
Entre retalhos de memórias remotas
Fragmentos fugazes seus surgem
Como sussurros mórbidos ao ouvido.

Na suas sinuosidades perversas
Depositam-se cadáveres daqueles
Que ousaram e assim deixaram
Todos os sonhos pelo caminho.

Decompõe-se sua aparente beleza
Como corpo inanimado ao relento.
Agora mundana matéria pálida
Arrasta-se esquálida sobre os restos.

As paredes me segredaram tudo
E o morcego não me deixou dormir.
Foi-se a noite e veio a luz da manhã
Como um dardo na consciência.
Fecho os olhos e tudo é vermelho
E da janela vem a constante inquietação.
Cerro-a, encerro-me outra vez
E maldito, augusto morcego surge novamente.

sábado, 22 de setembro de 2012



Cidade cinza e fria.
Pontes e viadutos,
Passarelas que levam a lugar nenhum.
O vapor do copo ondula no bar da esquina.
Todos movidos pelo sedento relógio-ponto.
Alguns se amontoam em paradas de ônibus,
Outros seguem como zumbis trilhando um caminho invisível.
O café quente e amargo da manhã.
O almoço engolido com sofreguidão.
A renúncia do jantar em troca de uma garrafa que trará uma
Quase sensação de felicidade.
A engrenagem se move devagar e sempre
A noite se esgota e a manhã chega, outra vez, como uma nota de falecimento.
Todas as coisas ditas são medidas e é a intensidade que faz com que sejam aceitas ou não. Sendo assim, eu falei sem pensar. E quando disse que queria você pra mim era verdade e lhe raptaria se possível. E quando falei que amava foi sem querer e me assustei e vi que havia ido longe demais. Sempre me disseram para não brincar com fogo, mas sou pirômano por excelência.
Você sempre esteve para mim c

omo todas as coisas mais simples e básicas. Como a primeira tragada do filtro vermelho. Como o café forte e quente sorvido a pequenos goles. Como o prato de cada dia e o desespero de não tê-lo. A necessidade de respirar e sentir aromas e querer tudo o que não se pode ter.
Se me pedissem uma história, eu teria duas a lhes contar. Porque é assim que acontece e nada me basta e o suficiente parece pouco. Levo tudo às últimas conseqüências e andar na corda bamba é cotidiano. Deixo todas as pistas e rastros para serem seguidos e quero ser encontrado. Quero que a música seja interrompida e que algo aconteça.

sábado, 4 de agosto de 2012


Sons ao longe e alegrias distantes
Na estrada longa que nos separa.
No amparo dos teus braços frágeis
Tenho um refúgio e desejo antigo.
Perco-me nessas curvas sinuosas
Que o caminho sempre traz.
Mas são pontos de parada,
Podem tardar essa viagem,
Mas nunca me fazem perder
O horizonte dos teus olhos.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Na penumbra de um quarto triste
No silêncio que paira no ar.
A tua indiferença me agride
Meus fantasmas me assombram.
Árdua a sina de carregar
Todo o peso de uma vida vazia.
Um romance interrompido...
O título para um livro não escrito.
Uma personagem que fugiu
Na camuflagem perfeita da noite.
Aquele poema esquecido
Que agora vem à tona...
As palavras que não funcionam mais.
Aquela lembrança em tons de cinza
Que vai se dispersando...
Na camuflagem perfeita da noite.

sábado, 14 de julho de 2012


Os carros passam velozes pela estrada.
A fogueira do mendigo se extinguiu.
Meu coração acelerado clama por algo.
Minha face rubra é ferida pelo vento frio.
Ela disse que tudo um dia acaba.
Eu não quis acreditar, conhecendo a verdade.
E tudo é triste agora, e o medo se faz presente.
E toda a beleza se foi, como se fora a última!
Mas voarei e cairei do mais alto.
Mortificar-me-ei e sei o quanto dói.
Sei a dor de se morrer outra vez!


Qual é minha esperança?
Ando de olhos fechados para te ter como visão.
Ao abri-los, já não estás mais comigo...
Esperei pelo inverno, que levou todas as folhas.
Estou desprotegido e tu não vieste me aquecer.
Não suportarei dois invernos sem teus lábios.
Sem a ternura de teu corpo e tua boca doce sussurrando
As palavras que um dia ouvi.
Tu me fizeste assim e minha febre não cessa.
Teu perfume está em mim e guardo todas as lembranças
Como relíquias.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ela se foi
Como a personagem triste de um poema
Esquecido na gaveta.
Sublimou-se na amplitude das esperanças e possibilidades
Que eu não ofereci.