terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Eu pego a estrada antes mesmo que o sol comece a iluminar o dia. E o frescor da manhã consegue enganar-me por algumas horas e não me fazer pensar no que está por vir.
A guerra interna é constante e nas batalhas nunca há lado vitorioso. Somente ferimentos e mutilações. Abrem-se feridas sobre cicatrizes de outras mal curadas.
O tapete negro se desenrola e ao longo vai mostrando as nuances ao seu redor. Imensas e tristes plantações que os olhos buscam, mas não alcançam o fim. Trigais dourados que ondulam às correntes de ar e brilham sobre as planícies e coxilhas.
O caminho e suas expectativas que são deixadas para trás em segundos, em cada placa que ficou. Nessa relação de distância, espaço e tempo que nos alimenta, nos engana e nos mata.
Ficaram lá, naquele ínfimo instante perdido para sempre, o olhar, o gesto e as palavras não ditas.

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