sábado, 4 de agosto de 2012


Sons ao longe e alegrias distantes
Na estrada longa que nos separa.
No amparo dos teus braços frágeis
Tenho um refúgio e desejo antigo.
Perco-me nessas curvas sinuosas
Que o caminho sempre traz.
Mas são pontos de parada,
Podem tardar essa viagem,
Mas nunca me fazem perder
O horizonte dos teus olhos.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Na penumbra de um quarto triste
No silêncio que paira no ar.
A tua indiferença me agride
Meus fantasmas me assombram.
Árdua a sina de carregar
Todo o peso de uma vida vazia.
Um romance interrompido...
O título para um livro não escrito.
Uma personagem que fugiu
Na camuflagem perfeita da noite.
Aquele poema esquecido
Que agora vem à tona...
As palavras que não funcionam mais.
Aquela lembrança em tons de cinza
Que vai se dispersando...
Na camuflagem perfeita da noite.

sábado, 14 de julho de 2012


Os carros passam velozes pela estrada.
A fogueira do mendigo se extinguiu.
Meu coração acelerado clama por algo.
Minha face rubra é ferida pelo vento frio.
Ela disse que tudo um dia acaba.
Eu não quis acreditar, conhecendo a verdade.
E tudo é triste agora, e o medo se faz presente.
E toda a beleza se foi, como se fora a última!
Mas voarei e cairei do mais alto.
Mortificar-me-ei e sei o quanto dói.
Sei a dor de se morrer outra vez!


Qual é minha esperança?
Ando de olhos fechados para te ter como visão.
Ao abri-los, já não estás mais comigo...
Esperei pelo inverno, que levou todas as folhas.
Estou desprotegido e tu não vieste me aquecer.
Não suportarei dois invernos sem teus lábios.
Sem a ternura de teu corpo e tua boca doce sussurrando
As palavras que um dia ouvi.
Tu me fizeste assim e minha febre não cessa.
Teu perfume está em mim e guardo todas as lembranças
Como relíquias.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ela se foi
Como a personagem triste de um poema
Esquecido na gaveta.
Sublimou-se na amplitude das esperanças e possibilidades
Que eu não ofereci.

domingo, 13 de novembro de 2011

Somos desgraçados por excelência
E qualquer tentativa é inútil.
A estupidez é a parte fundamental
de um mecanismo que nos deixa vivos.
E ainda podemos sorrir.

domingo, 2 de outubro de 2011

O teu hálito na minha pele
Essa saudade de algum dia
E tua proximidade tão distante
Eu baixo minha cabeça e teu olhar me fulmina
E se perde como um projétil noite adentro.
Queria ver meu peito sangrando e meu
Corpo esmaecido caído, repousado
No chão poeirento e quente.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

PALCO DOS HIRUDÍNEOS


Dou-te razão, pálido poeta:
Somos doidos, frios crânios incompreendidos.
Bons atores para representar sentimentos. Eis a magia do teatro!
Quem me dera ter tal virtude e, em minha vivência, não ficar à mercê da ventriloquia.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eternos erros

Ela sorriu tristemente para mim,
E eu sangrei por dentro sorrindo.
Escondi minhas dores e lágrimas
Para que escondesse as dela também.

Não consigo tê-la pela metade,
Mas tenho medo de inteirar-me.
Prefiro me deixar enganar
E, de olhos bem fechados, esquecer-me.

Como se a realidade não despertasse
Com a luz da manhã nos meus olhos.
E o paraíso dos seus lábios molhados
Não se fizesse distante dos meus.

-- Deixe-me na minha lama de miséria.
Aqui estou posto ao que me era de direito,
A deliciar-me com imundícies que pisei.
E, malogrado, a rir dos anseios de algum dia.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Frustração

  Queria escrever uma história para ser eternizada, então me
sentei para escrevê-la e nada saiu.
  Fui para o litoral para fisgar o maior peixe e, na beira do mar,
eu entendi que não sabia lançar o anzol.
  Pensei que Cubismo fosse fácil e comprei umas telas e tintas e pincéis
e descobri que teria que aprender a pintar e a desenhar e depois desaprender.
  Bebi muitos vinhos e achei que poderia identificá-los pelo aroma, tonalidade,
acidez,... mas os rótulos das garrafas me influenciaram demais.
  Tentei apenas viver de forma simples e leve e vi que havia queimado todo
o combustível e não haveria forma de retornar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Desesperança

Dois corpos pálidos jazendo
Na mesma terra negra e fria.
De todas as emoções e momentos
Restam apenas esses decadentes traços.

Ao amanhecer, o céu é sempre sem brilho.
Não podem ser apagadas as marcas do tempo.
As últimas lágrimas se cristalizaram
Na pele gélida de quem já não vive.

Mas não imaginamos o porvir
Quando o presente é tão vivo.
Na embriaguez dos sonhos,
Em nossos ingênuos anseios.

Como as flores que crescem no lodo
Acabam maculando suas pétalas,
Os corpos e seus brilhos se sujam
Na mundana imundície que os cerca.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Depois da chuva

Sou tempestade ruidosa,
Sou eletricidade e trovões.
Mas teus lábios me calam
E teus olhos trazem a bonança.

Ama-me como és, com certo pudor.
Não me ames com clichês.
Quero teu riso fácil
E tua boca me provocando.

Não quero palavras viciadas
E frases há muito repetidas.
Contento-me com tua presença
E decoro teus traços para a ausência.

Desconheces o vazio de minha casa
Quando escurece e todo o som vai embora.
Carrego-te ecoando no meu corpo
Como um anjo perverso que me assombra.

Perfume

Ela passou por mim com uns olhos de chuva
E desprendeu seu aroma no ar.
Capturei pequenos vestígios
Que inundaram meu corpo.

Levei a sério demais e me importei demais,
Tanto que me perdi em seu perfume.
Que eu ainda não sei se quero,
Mas que por ele tanto me desespero.

E endoidecido percorro as ruas
Em busca de vagas imagens suas.
Pelos bares e enfumaçados lugares,
Sob luzes e luares de noites insones.

Mon Chéri

Eu quisera a tua beleza e a tive.
Embriaguei-me dos teus lábios.
Mergulhei no oceano de negros cabelos.
Sorvi o doce aroma da tua pele.

Teus olhos como a noite estrelada
Mostravam o brilho de outros e possíveis mundos.

Mas o tempo se esvai
E o refúgio de sombras não nos protege mais.

A luz da manhã me fere como uma flecha na retina.
E estou dilacerado e sem rumo...
A realidade cai maciça e bruscamente.
É o momento de ir embora.

Não quero palavras de conforto.
Quero o nada!
Quero tudo!
Quero-te outra vez.

Nostalgie

Fui amá-la com urgência.
Com a avidez de um cão
Sedento por míseras gotas
Para saciar seu débil corpo.

As luzes se derramavam pelo quarto
Triste e saturado de promessas
E juras de amor.
A dança era diabólica num corpo angelical...

A graciosidade e o suave toque
Escondiam dores de feridas ainda abertas.
Tudo se fora... O que passou é saudade...

Espera-se por uma fuga todos os dias.
Uma máscara para suportar a realidade
E sorrir e dançar e tentar se enganar.

Uma lágrima. Apenas uma...
Impossível.
Aprende-se a não mais chorar...

Eu

Eu, ser plenamente vencido
Pela sociedade abastada e avarenta,
Vivo pelos becos escondido,
Não mais tendo a proteção da placenta.

Sou um corpo emurchecido
E uma massa encefálica degenerada.
Aquele serve ao espírito como abrigo
E esse à alma por morada.

A sorte - um felino finado; E os vícios...
A incontrolável delinqüência,
Deixam na epiderme indícios
Que desmentem a minha falsa aparência.

Um lutulento lupanar é o caminho
Percorrido pelo meu cadáver convulso.
Como um estranho pássaro no ninho
Constantemente me auto-expulso.

Potencialíssimo esquizofrênico:
Quero das turbas me afastar;
Propenso a ingerir arsênico:
Posso, isolado, lentamente finar.